Professores da rede estadual apresentam estudo sobre artes, rap e escolarização no V Simpósio Nacional de Socioeducação, em São Luís (MA)
As rimas e o rap viraram tema de trabalho na Escola Estadual Professor Antônio Carlos Gomes da Costa, em Ananindeua, unidade vinculada à Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (FASEPA) e atende exclusivamente estudantes em cumprimento de medida socioeducativa de internação.
O trabalho “Rimas e Resistência: Produção de Rap e a Escolarização na Socioeducação (PA)”, apresentado e orientado pelos professores da instituição, Arlindo Alves e Simony Paes, consiste em um relato de experiência desenvolvido no âmbito da pesquisa de doutorado do professor Arlindo, que analisou as produções autorais de rap dos alunos da escola.
A pesquisa os levou até o V Simpósio Nacional de Socioeducação, que aconteceu entre os dias 24 a 27 de fevereiro, que reúne, anualmente, profissionais, gestores, pesquisadores, estudantes e jovens egressos do sistema socioeducativo para apresentar pesquisas e estimular práticas e debates conectados com a realidade socioeducativa nacional.

O professor Arlindo Alves, autor do trabalho, falou sobre a importância do simpósio e a experiência de sua participação. “O Simpósio de Socioeducação é um dos eventos mais importantes quando se fala de troca de experiências em torno da política socioeducativa. Seja em torno da saúde mental dos estudantes e servidores, seja em torno de práticas pedagógicas de escolarização e de todos os segmentos que o próprio Sinase, que é o nosso Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, preconiza. O Simpósio vem trazer esse debate mais ampliado e aprofundado, trocando experiências, e todo mundo ganha com essa troca de conhecimento e de experiências que foram bem exitosas, relatou.
A pesquisa evidencia o rap como uma expressão artística potente para a construção do letramento crítico e na valorização de identidades juvenis, além de destacar como o uso do rap dentro do ambiente escolar contribuiu para além da perspectiva artística, possuindo função ética, política e formativa, colocando os estudantes como protagonistas do estudo, como afirma o professor Arlindo:
“Esse trabalho que eu apresentei, dialoga com o rap enquanto linguagem formativa, de letramento, de protagonismo, de educação musical. O rap traz essa abordagem, dando espaço, dando voz a esses meninos que precisam falar o que eles pensam, a partir de uma linguagem que é muito orgânica, que conversa sempre com eles. Então eu digo que eu aprendo mais do que eu ensino nesse trabalho, porque eles têm muito a ensinar e a gente é só o fio condutor desse processo.”, destacou.
Como resultado da pesquisa, foram observados diversos benefícios relacionados à convivência escolar e aprendizado, como o aumento no engajamento escolar dos estudantes, a criatividade, a expressão oral e escrita e o sentimento de pertencimento dos alunos ao ambiente escolar, reforçando o papel da escola e da arte na formação humana da juventude.
“Aqui temos resultados muito importantes, que já foram publicados em outros trabalhos, em outros artigos, e que a gente está tendo mais a seguir com esse trabalho, porque é um trabalho que coloca em voga um lugar que é pouco conhecido pela sociedade, que é o espaço socioeducativo, que é onde o estudante que está em comprimento da medida socioeducativa produz conhecimento, e é importante a gente grifar isso, ele produz conhecimento.”, afirmou o professor.
A participação dos professores da rede pública estadual no V Simpósio Nacional de Socioeducação reforça a importância do desenvolvimento de práticas pedagógicas que contribuam para o sentimento de pertencimento dos estudantes e amplia o debate sobre a importância da ressocialização e a garantia de direitos à jovens sob cumprimento de medidas socioeducativas de privação de liberdade.
Simony Paes, professora de ciências e co-autora do trabalho, destaca a importância de eventos como este para a formação dos professores na área da socioeducação. “O que é a gente participar de um evento? É como se fosse uma mini formação, você ir pra um local onde as pessoas também trabalham com a temática que você trabalha no dia-a-dia, e a gente poder compartilhar experiências. Isso é muito rico. Para a nossa formação isso é muito importante. É muito importante a gente ter a cada ano, a cada semestre, formações na área da socioeducação. é indiscutível o quanto isso é importante para nós. E para os colegas que estão chegando, que estão vindo trabalhar na socioeducação, é importante ter formação, porque a gente lida com realidades na vida dos nossos alunos muito diferenciadas", disse.

Texto de Ícaro Zacarias