Escola Raymundo Martins Vianna, em Belém, tem projeto de leitura pelo Mês da Mulher
Projeto, no bairro Parquer Verde, usou o clássico da Branca de Neve e poemas de Cecília Meireles para abordar a valorização e a autoestima feminina
Um projeto de incentivo à leitura da Escola Raymundo Martins Vianna, localizada no bairro do Parque Verde, em Belém, abordou o tema “Espelho, espelho meu”, presente no conto de fadas da Branca de Neve e no poema “Retrato”, de Cecília Meireles, em alusão ao Mês da Mulher.
Todo o mês, o projeto busca títulos que vão ao encontro da realidade e do dia a dia dos alunos, com o intuito de tornar a biblioteca da escola um local de convicência entre os estudantes. Durante este mês de março, os livros escolhidos abordaram a construção da identidade e a percepção de si mesmo ao longo do tempo, tema pertinente quando se fala de autoestima feminina.

No conto infantil “Branca de Neve”, dos Irmãos Grimm, o espelho é símbolo da busca incessante pela valorização extrema. A Rainha Má, madrasta da Branca de Neve, é quem utiliza o Espelho Mágico para saber quem é a mulher mais bela do reino, motivando seu plano de eliminar Branca de Neve por inveja.

Já no poema “Retrato”, de Cecília Meireles, poeta, escritora e professora carioca, o espelho assume um papel mais íntimo e existencial, revelando o reflexo da imagem do eu lírico, transformada pelas mudanças inevitáveis do tempo - como o envelhecimento. Nesse texto, a voz poética, diferentemente da personagem da rainha má, não rejeita, mas aceita as mudanças.
A professora Adriana de Oliveira, uma das responsáveis pelo projeto, comentou sobre as reflexões feitas em sala de aula. “Ler Branca de Neve nos permitiu discutir como histórias antigas refletem estruturas sociais ainda presentes, como a valorização da beleza sem comparações, o automerecimento e o autovalor. O projeto ‘Espelho, espelho meu’ nos mostrou que dentro do espaço escolar, muitas mulheres desejam ser espelhos para outras mulheres”, relatou.
A escolha dos títulos, feita pelas professoras Adriana de Oliveira e Ocinei Siqueira, traz uma reflexão crítica sobre como o conto mostra os perigos da valorização excessiva da aparência, enquanto o poema convida à aceitação de si mesmo e à compreensão das transformações naturais da vida.

O projeto contou com a participação de 35 alunas, incluindo também as estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reforçando o ambiente escolar como um local de acolhimento e autocuidado, capaz de realizar transformações na vida dos estudantes, dentro e fora de sala de aula, através da educação e da leitura.